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Os municípios de Geminiano e Itainópolis podem entrar no mapa global de fornecedores de insumos críticos para a transição energética. São nessas duas cidades que a empresa canadense Origen Resources iniciou um trabalho de prospecção mineral. O projeto, ainda na fase inicial, tem como objetivo identificar depósitos de terras raras, elementos essenciais para a fabricação de ímãs de turbinas eólicas, baterias de veículos elétricos e uma vasta gama de equipamentos eletrônicos.
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Em entrevista exclusiva para o Portal Piauí Negócios, o geólogo sênior John Harrop, da Coast Mountain Geological Ltd, empresa que assessora o projeto, disse que o foco é realizar um mapeamento geológico detalhado do embasamento rochoso para localizar as áreas com real potencial dentro dos milhares de hectares licenciados. "Uma pequena parcela das áreas-alvo apresenta potencial prospectivo, entretanto, sua localização ainda não é conhecida e a identificação dessas zonas constitui o objetivo principal", explicou o geólogo.
A metodologia envolverá uma campanha sistemática de mapeameno geológico, amostragem de solos e análises em laboratórios brasileiros, com possível colaboração de universidades do Piauí e do Ceará. O cronograma atual prevê o início dessas atividades de campo no segundo trimestre de 2026, após a conclusão da atual fase de avaliação de viabilidade pela Origen Resources.
O trabalho da empresa pode gerar impactos econômicos já no início das pesquisas. Harrop explicou que, nessa fase de prospecção mineral, o projeto vai gerar oportunidades para as comunidades de Geminiano e Itainópolis por meio de trabalhos de campo periódicos, com a coleta de dados.
A proposta da empresa é incentivar a participação de interessados das comunidades locais, com algumas ações, como treinamento em serviço e aquisição de experiência prática. “Outras atividades em estágio inicial irão incluir ações de engajamento comunitário e funções relacionadas com as componentes Ambiental, Social e de Governança (ESG), que idealmente também serão disponibilizadas localmente, assim como a atração de estudantes para colaborarem no projeto”, afirmou o geólogo.

A equipe técnica da empresa manteve contatos com geólogos do Serviço Geológico do Brasil e pesquisadores de universidades federais para validação dos dados durante a verificação técnica. O plano é, depois de montar o programa de trabalho, a Origen Resources deve realizar apresentações técnicas às autoridades estaduais e municipais para os devidos processos de licenciamento.
Descobertas do Serviço Geológico do Brasil
Em dezembro de 2025, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) divulgou um novo estudo revelando concentrações elevadas de minerais estratégicos, como fosfato e urânio, além de elementos terras raras no leste do Piauí, na borda oriental da Bacia Sedimentar do Parnaíba. O trabalho revelou intervalo fosfatado com altos valores de fosfato, urânio e terras raras, comparáveis, e até superiores, aos observados em depósitos sedimentares clássicos encontrados em outros países do mundo.
Segundo os pesquisadores, os resultados químicos, associados à espessura das rochas sedimentares da Formação Longá (até 20 metros), indicam que esses níveis com elevadas quantidades de fosfato podem se repetir em subsuperfície.
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“Esses estudos contribuem e ampliam o conhecimento sobre as ocorrências de fosfato na região e na bacia sedimentar, apresentando as primeiras interpretações sobre sua origem. Os dados apresentados indicam potencial para viabilidade econômica para essas ocorrências”, explica a pesquisadora Carolina Reis.
Segundo a Seplam, o Piauí já contabiliza 26 processos de empresas nacionais e estrangeiras interessadas em pesquisar ocorrências de terras raras, cobrindo uma área aproximada de 48,22 mil hectares em 14 municípios. Os dados, consolidados a partir de registros da Agência Nacional de Mineração (ANM) e acompanhados pelo Observatório da Mineração do Piauí, mostram o crescimento acelerado do interesse empresarial nos últimos dois anos.




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