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Agro

Rastreabilidade

Fazenda Progresso cria QR Code para acompanhar algodão da colheita ao beneficiamento

Tecnologia reúne dados sobre origem, peso, transporte, beneficiamento e qualidade da produção

Dulce Luz 27/07/2026 às 20h00 (últ. atualiz.: 31/07/2026 às 12h56) 6 min de leitura 481 visitas
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Informações no QR Code ajudam no controle da produção e na tomada de decisões (Fotos: Divulgação)

Informações no QR Code ajudam no controle da produção e na tomada de decisões (Fotos: Divulgação)

Um QR Code colocado ainda no campo passou a funcionar como uma identidade digital para o algodão produzido pela Fazenda Progresso, em Sebastião Leal, no Cerrado piauiense. Desenvolvida pela própria equipe da empresa, a tecnologia permite acompanhar individualmente os grandes fardos que saem das colheitadeiras e reunir informações que ajudam no controle da produção e na tomada de decisões.

O projeto teve como um de seus principais idealizadores João Vinnycius, que trabalha na Fazenda Progresso e utilizou a experiência como base para o trabalho de conclusão do curso de Big Data no Agronegócio, da Fatec Pompeia Shunji Nishimura, em São Paulo.  A etapa final de desenvolvimento e a implantação prática ficaram a cargo de Dennis Farias, técnico responsável por tecnologia e inovação da Fazenda Progresso. A solução substituiu um processo manual: até a safra passada, cada fardo era numerado com tinta spray.

Rastreabilidade ganha força com o interesse de compradores nacionais e internacionais

 

O método estava sujeito a falhas, como a repetição de números ou mesmo a falta de identificação de alguma unidade. Agora, cada fardo recebe um código exclusivo. “Com o QR Code a gente tem mais controle das informações, reduz a quantidade de erros e consegue tomar melhores decisões”, explica Farias. 

A mudança ocorre em um setor no qual dados, rastreabilidade e agricultura de precisão ganham importância à medida que aumentam a escala das propriedades e as exigências de compradores nacionais e internacionais.

 

Do campo ao beneficiamento

A operação começa ainda na lavoura. As colheitadeiras formam grandes fardos de algodão, com aproximadamente 2,5 toneladas cada, que permanecem temporariamente no campo antes de seguir para as etapas seguintes. Cada unidade precisa ser identificada para que a fazenda saiba de qual área da lavoura veio aquele algodão, qual variedade foi plantada e quanto foi produzido. Com o novo sistema, essas informações ficam associadas ao QR Code.

 

Dennis Farias, técnico responsável por tecnologia e inovação da Fazenda Progresso

 

A leitura acompanha o produto durante o transporte e permite saber quantos fardos estão sendo movimentados. Na balança, o código é relacionado ao peso. No pátio, a empresa consegue controlar o volume disponível e, posteriormente, registrar quais unidades seguiram para o beneficiamento.

Segundo Farias, o resultado é uma sequência de informações sobre o produto desde a colheita. “Com o QR Code a gente tem toda a rastreabilidade do algodão, desde o momento em que ele foi colhido até as etapas de transporte, balança, pátio e beneficiamento”, afirma.

Os dados permitem ainda comparar o desempenho das diferentes áreas da propriedade e das variedades plantadas. Ao relacionar origem e peso dos fardos, a equipe consegue visualizar onde estão os melhores resultados e usar essas informações no planejamento das próximas safras.

 

Rastreabilidade chega à qualidade do produto

O sistema desenvolvido pela Fazenda Progresso também auxilia uma etapa decisiva para a comercialização: a avaliação da qualidade da fibra. Depois do beneficiamento, os resultados da classificação do algodão são registrados no sistema. Dessa forma, a empresa consegue relacionar as características do produto às exigências dos contratos comerciais. “Tem empresas que só querem se for em determinado nível de qualidade. A gente consegue visualizar dentro do sistema se essa qualidade está sendo correspondida com base nos contratos”, explica Farias.

A operação para reunir dados no Q RCode começa ainda na lavoura

 

A experiência da Fazenda Progresso faz parte de um movimento mais amplo de digitalização da cadeia do algodão. No Brasil, a rastreabilidade da pluma não é novidade. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) mantém desde 2004 o Sistema Abrapa de Identificação (SAI). Depois do beneficiamento, cada fardo de pluma recebe uma identificação que permite rastrear informações como fazenda de origem, unidade onde foi beneficiado e resultados da análise de qualidade. A própria Abrapa compara a etiqueta a um “CPF” do fardo.

Na safra 2025/2026, o sistema entrou em uma nova fase, com ampliação das informações de origem e reforço dos procedimentos de rastreabilidade nas unidades de beneficiamento. Há também iniciativas que levam o rastreamento além da propriedade rural e da indústria. O programa SouABR utiliza blockchain e QR Code para permitir o acompanhamento do algodão certificado ao longo da cadeia têxtil. Somente em 2025, foram produzidas quase 320 mil peças rastreáveis pelo programa. 

A diferença, no caso da Fazenda Progresso, está no ponto em que a tecnologia começa a ser utilizada: ainda dentro da operação agrícola, identificando os grandes fardos deixados pela colheitadeira no campo e acompanhando seu deslocamento até o beneficiamento.

 

Tecnologia avança dentro da porteira

O QR Code é apenas uma das ferramentas de uma transformação tecnológica mais ampla no agronegócio. Sensores, imagens de satélite e drones, máquinas conectadas, softwares de gestão e sistemas de agricultura de precisão vêm ampliando a quantidade de dados disponíveis para produtores.

Os dados permitem comparar o desempenho das áreas da propriedade e das variedades plantadas

 

A inteligência artificial acrescenta uma nova camada a esse processo. Na agricultura, algoritmos podem ser utilizados para analisar imagens, identificar padrões nas lavouras, apoiar estimativas de produção e transformar grandes volumes de dados em informações úteis para decisões agronômicas e operacionais.

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