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Depois de anos marcados por esvaziamento, impacto da pandemia e fechamento de pontos comerciais, o Centro de Teresina começa a dar sinais de retomada. Um conjunto de investimentos públicos e privados em habitação, comércio, infraestrutura e cultura está redesenhando o perfil da região e reposicionando o espaço como território estratégico para moradia, consumo e geração de empregos.
O movimento combina novos empreendimentos imobiliários financiados por política habitacional federal, chegada de grandes redes varejistas, revitalização de mercados tradicionais e ações municipais voltadas à ocupação de imóveis e melhoria da infraestrutura urbana. Para o mercado, trata-se de um ciclo que pode impulsionar a construção civil, aquecer o comércio e consolidar uma nova fase de valorização imobiliária na área central.
Habitação como motor da reocupação
Previsto para ser lançado no primeiro trimestre de 2026, um novo empreendimento da construtora Área Engenharia integra esse cenário de transformação. O condomínio, financiado pelo programa Minha Casa, Minha Vida, terá 100 apartamentos de dois quartos, distribuídos em um prédio de nove andares, no cruzamento das ruas Benjamin Constant e Magalhães Filho, próximo à Avenida Miguel Rosa.
O projeto faz parte do programa municipal Centro Vivo, sancionado em dezembro de 2023, cujo objetivo é estimular a ocupação sustentável e promover a integração socioespacial do centro, incentivando habitações multifamiliares com uso misto, combinando moradia e comércio. O lançamento está previsto para este mês de março.
Ainda no eixo habitacional, outro projeto de grande porte reforça a estratégia de reocupação do centro. Trata-se do Habitar Centro, iniciativa do Governo do Estado que prevê a construção de 300 unidades habitacionais, também com financiamento pelo Minha Casa, Minha Vida.
O empreendimento será construído em um terreno doado pelo próprio Estado, localizado no quarteirão formado pelas ruas Barroso, Félix Pacheco, 13 de Maio e São Pedro, nas proximidades da Praça Saraiva. Os apartamentos serão organizados em formato de condomínio e destinados a famílias inscritas no cadastro habitacional local.
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“A revitalização do Centro de Teresina é um compromisso do Governo do Estado, que entende a importância de devolver vida, moradia e dinamismo a essa região histórica da nossa capital. É um passo importante para repovoar o Centro, ampliar o acesso da população à infraestrutura consolidada e reforçar o papel urbano dessa área”, afirma o diretor-geral da Agência de Desenvolvimento Habitacional do Piauí (ADH), Igor Neri.
Ele explica que o edital de chamamento público para credenciamento de empresas da construção civil interessadas em apresentar projetos já foi publicado. A expectativa é que o projeto também gere impacto direto na cadeia da construção civil, com criação de empregos e movimentação econômica durante a fase de obras.
Para o vice-presidente do Sindicato dos Lojistas do Piauí (Sindilojas), Leonardo Viana, a reocupação residencial é determinante para devolver vitalidade econômica ao centro. Ele lembra que a região enfrentou dificuldades no pós-pandemia, com problemas no transporte público, habitação e segurança. “Muito bom ver que o centro está sendo abraçado de novo por parte dos órgãos públicos. O centro é o coração da cidade. Aqui o cliente encontra tudo”, afirma.
A construção civil tem papel central nesse processo. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção mostram que o Minha Casa, Minha Vida voltou a ser um dos principais vetores de lançamentos no Nordeste, impactando diretamente emprego formal, cadeia de fornecedores e arrecadação municipal. No Piauí, o setor historicamente figura entre os que mais geram postos de trabalho com carteira assinada em momentos de expansão.
Grandes players apostam na região
O ambiente de retomada também é impulsionado por investimentos privados de grande porte. O Grupo Mateus inaugura no dia 27 de março uma unidade de atacarejo na Avenida Frei Serafim, ocupando um espaço que antes funcionava o supermercado Bompreço, fechado já há alguns anos. A empresa projeta a geração de cerca de 300 empregos diretos e outros 300 indiretos. Ao Piauí Negócios, o Grupo Mateus justificou o investimento dizendo que Teresina apresenta forte capacidade de consumo e localização estratégica para expansão.
Também na Avenida Frei Serafim foi inaugurada no último dia 28 uma unidade da Selfit, uma das maiores redes de academia do Brasil. O empreendimento ocupa o imóvel onde antes funcionou, há alguns anos, uma agência do Banco do Brasil, na esquina com a Rua Desembargador Pires de Castro.
O local e considerado estratégico, considerando o grande fluxo de pessoas que trabalha e circula pelo bairro. Sem falar nos moradores. Dados mais recentes do IBGE mostram que a região (centro e bairros próximos) tem quase 96 mil habitantes.
Recentemente, a principal avenida do centro da cidade se tornou endereço também de unidades McDonalds e do Burguer King, duas grandes redes norte-americanas de fastfood. Foi na Frei Serafim também que a Aegea instalou um call center. A empresa detém a concessão do serviço de saneamento básico em Teresina e em vários municípios do Piauí.
Na mesma região, está sendo projetada a construção do Shopping dos Livros, na Praça do Fripisa, onde funciona a feira para a venda e troca de livros usados. A Prefeitura informou que ainda no primeiro semestre deste ano será lançada a licitação da obra. A proposta é apostar em eventos culturais, considerando a proximidade do espaço com escolas e faculdades.
Outro destaque é o Shopping da Praça, na região da Praça Pedro II. A primeira etapa contará com 220 lojas e deve ser inaugurada na última semana de março. Uma segunda fase, dedicada à praça de alimentação, está prevista para o segundo semestre. Para a gestora comercial Larissa Félix, o centro vive um ciclo de renovação. Ela afirma que a chegada de novos empreendimentos residenciais e comerciais sinaliza confiança no crescimento sustentável da área e contribui para geração de empregos e fortalecimento do comércio local.
O superintendente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Teresina, Ulysses Moraes, avalia que o movimento consistente de retomada de investimentos é fundamental para revalorizar imóveis e reativar prédios hoje ociosos. Ele defende, inclusive, a revisão de políticas de IPTU para estimular a reutilização de propriedades inativas.
Infraestrutura, cultura e ordenamento urbano
No campo das políticas públicas, a Prefeitura de Teresina estruturou uma estratégia baseada em cinco eixos para revitalizar o centro comercial, incluindo habitação, atração de investimentos, cultura, manutenção urbana e ocupação institucional. Segundo o superintendente da SDU Centro/Norte, Eulálio Campelo, a gestão já começou a perceber resultados práticos, com empresas elaborando projetos e novas operações sendo instaladas na região.
Entre as medidas adotadas estão a transferência de secretarias municipais para o centro (Juventude, Políticas Públicas para Mulheres e Arsete), diálogo com entidades empresariais e incentivo à abertura de negócios. A revitalização do Mercado São José, com mais de 70 anos de história e cerca de 350 permissionários, também integra o plano e deve ser concluída até 2027.

A gestão também afirma que reforçou ações de limpeza urbana, iluminação pública e fiscalização de imóveis abandonados, com impacto direto na sensação de segurança e na atratividade econômica da região. Eventos culturais e feiras voltaram a ocupar praças tradicionais, ampliando o fluxo de pessoas nos fins de semana e fortalecendo o comércio.
Se os projetos previstos para 2026 avançarem conforme planejado, a tendência é de aquecimento contínuo da construção civil, geração de empregos diretos e indiretos e valorização imobiliária progressiva.
*Matéria atualizada às 12h22




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