Escolha uma ferramenta. Ela será aberta em outra aba; você poderá usar sua própria conta.
Incentivar negócios liderados por mulheres não é apenas uma questão de justiça social, mas também uma estratégia econômica poderosa com impactos profundos e transformadores. Imagine um mundo onde a igualdade de gênero no mercado de trabalho impulsiona o PIB global em até US$ 28 trilhões até 2025, como prevê o Banco Mundial.
Empresas com diversidade de gênero, segundo a Organização Internacional do Trabalho, não só são mais produtivas, mas também geram mais receita por dólar investido, como mostram os estudos do Boston Consulting Group. Além disso, negócios liderados por mulheres demonstram maior resiliência, com taxas de sobrevivência superiores, especialmente em setores essenciais como serviços, educação e saúde, conforme dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM).
O impacto social é igualmente significativo: mulheres empreendedoras reinvestem até 90% da renda em família, educação e comunidade, um contraste marcante com os 30-40% dos homens, segundo o PNUD, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
Aumentar a participação econômica feminina é uma das políticas mais eficazes para reduzir a pobreza, como destaca o Banco Mundial, e empresas lideradas por mulheres tendem a gerar mais empregos locais e contratar mulheres, promovendo a inclusão econômica, de acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID.
A inovação também floresce em negócios liderados por mulheres, com foco em áreas de alto impacto social como saúde, educação e tecnologia aplicada ao bem-estar. Juntas, essas vantagens econômicas e sociais demonstram o potencial inexplorado dos negócios liderados por mulheres e a urgência de investir em seu crescimento e sucesso.
No ecossistema de inovação brasileiro, a presença feminina tem evidenciado não ser apenas uma pauta de equidade para se consolidar como fator estratégico de competitividade e diferenciação. No portfólio da aceleradora Startup Piauí, temos evidências práticas de como essa participação pode transformar não apenas números, mas também a natureza e o impacto dos negócios inovadores que nascem no estado.
Dos 625 projetos que compõem o nosso portfólio, 255 contam com mulheres na equipe de referência — o que representa aproximadamente 40% do total. Esse percentual coloca o Piauí em posição de destaque quando comparado à média nacional.
Segundo o estudo "Startup Landscape – Lideranças Femininas 2025", realizado pela Liga Ventures, com base em março de 2025, apenas 32% das startups brasileiras possuem ao menos uma mulher no quadro societário. A diferença de 8 pontos percentuais na amostra dos projetos que acompanhamos evidencia que as políticas de fomento e aceleração no estado têm sido eficazes em promover ambientes mais inclusivos e diversos.
Mas os dados revelam algo ainda mais interessante quando analisamos a distribuição setorial. No portfólio geral do Startup Piauí, os três maiores mercados são Educação (83 projetos), Saúde (75) e Tecnologia da Informação (55). Já quando o recorte é feito exclusivamente sobre os projetos liderados por mulheres, a configuração muda: Saúde assume protagonismo com 37 iniciativas, empatada com Educação (também 37), seguidas por Bem-estar (19 projetos).
Leia também
Apenas 26,8% das startups do Piauí são lideradas por mulheres
Crédito da Badespi une amigas do Piauí e transforma negócios em grandes conquistas
Essa reconfiguração do ranking não é casual. Ela aponta para uma característica marcante do empreendedorismo feminino: a conexão profunda com áreas de cuidado, impacto social direto e qualidade de vida. Enquanto a Tecnologia da Informação — historicamente dominada por homens — figura entre os três maiores mercados no geral, ela dá lugar ao Bem-estar quando o foco são as mulheres. Isso não significa ausência feminina em TI, mas sim uma vocação ainda mais acentuada para setores que dialogam com saúde integral, educação transformadora e bem-estar coletivo, e que enfrentam desafios diretamente conectados com as questões de gênero.
É o caso, por exemplo, da Pratic Inteligência, criada pela profª Ana Angélica Costa, que oferece acompanhamento e monitoramento da prática de estágios supervisionais. De acordo com a fundadora, “a inovação não é só a ideia, é a execução da ideia. Você se lançar a empreender dependendo de outros conhecimentos é muito desafiador, mas muito estimulante também, porque você agrega outros conhecimentos. A minha realidade, como mulher, empreendedora e educadora, traz uma responsabilidade muito maior, principalmente na área de inovação. O grande desafio é sempre provar a competência, que aquela inovação que eu criei tem potencial de escala, ela tem possibilidade de ser um sucesso, embora eu tenha criado essa inovação para o próprio meio que eu convivo, que é o meio educacional.”
Embora a Pratic Inteligência esteja finalizando sua prova de conceito com 1.291 alunos usuários e 580 empresas cadastradas, evidenciando a solução de uma dor comum a várias instituições de ensino, a empreendedora afirma que há um esforço constante de validação de sua competência e da relevância de sua solução, mesmo estando no mercado de educação há 23 anos.
Também podemos mencionar o Instituto BEMVI, que impulsiona a inovação em saúde com impacto social real, promovendo a longevidade através de um processo de atendimento clínico que aumenta a independência de seus pacientes.
A Dra.Suylane Sobral, fundadora da startup que hoje conta com espaço físico consolidando seu mercado de atendimento em Teresina afirma que “há uma desconfiança generalizada na gestão feminina, especialmente quando falamos de serviços de saúde – majoritariamente liderados por homens”.
A empreendedora informa que no início de seu projeto era evidente que só ganhava autoridade para falar de sua própria solução quando acompanhada de seu sócio. “Antes da entrada dele, era muito mais difícil conseguir agendar reuniões, ou manter o interesse dos gestores com quem conversava”.
Ela também afirma que consegue visualizar que a proposta de valor do Instituto Bemvi, que passa por um atendimento clínico na perspectiva do acolhimento, surge de uma percepção mais vinculada ao cuidado com o paciente do que com o volume de atendimento clínico – uma característica da economia do cuidado que infelizmente não atravessa os papéis de gênero.
No final do dia, aumentar a quantidade de negócios liderados por mulheres traz impacto sociais e econômicos significativos para qualquer território. Não se trata de uma gestão ser melhor que a outra, mas de estilos diferentes de gestão que tem bases culturais e sociais, e que são complementares para o bom desenvolvimento de negócios.
Por se tratar de ambientes com maior predominância masculina, as mulheres envolvidas com inovação e tecnologia ainda se encontram em desvantagem, principalmente na hora de captar investimento ou afirmar a autoridade técnica de suas soluções.
Por outro lado, contar com mulheres fundadoras ou na liderança de empresas pode resultar em maior produtividade dos times e colaboradores e eficiência financeira. E pelo acompanhamento do nosso portfólio, parece que o Piauí está no caminho e contribuindo muito com essa mudança de paradigma.
Por Luciana Mari Tsukada - Gestora Executiva do Startup Piauí
Por: Por Luciana Mari Tsukada - Gestora Executiva do Startup Piauí




Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião desta página, se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Comentar