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O Piauí foi o estado brasileiro que registrou o maior crescimento proporcional no número de investidores na Bolsa de Valores em 2025. Dados divulgados pela B3, a bolsa do Brasil, mostram que o total de pessoas físicas do estado com aplicações em renda variável cresceu 7,73% ao longo do último ano.
Apesar do avanço, o número absoluto ainda é considerado pequeno. Atualmente, cerca de 34,5 mil piauienses possuem investimentos registrados na bolsa, o que representa aproximadamente 1% da população do estado. No Brasil, a média nacional é de cerca de 2,5% da população investindo nesse tipo de ativo.
Para o investidor Ricardo Queiroz, que tem MBA em Finanças, Investimentos e Banking, o resultado precisa ser analisado com cautela, já que o crescimento percentual ocorre sobre uma base ainda limitada de investidores. “Esse crescimento aconteceu porque o denominador é muito baixo. Quando entram cerca de 2.500 pessoas a mais na bolsa, percentualmente parece muito grande, mas na prática é um número pequeno”, afirma.

Segundo ele, o dado divulgado pela B3 não indica necessariamente maior participação da economia local no mercado de capitais. O número se refere apenas ao aumento de pessoas físicas do estado que passaram a investir em ações, fundos imobiliários ou outros ativos negociados na bolsa. “Estamos falando do número de investidores, não de abertura de capital de empresas ou captação de recursos por companhias instaladas no estado. São pessoas físicas que passaram a ter conta em corretoras e a operar na bolsa”, explica.
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Outro ponto destacado pelo investidor é o perfil dessas novas aplicações. Parte relevante dos investidores que entram no mercado em momentos de valorização tende a realizar operações de curto prazo, muitas vezes em busca de ganhos rápidos. “A maior concentração dessas novas operações está em derivativos e em operações de curtíssimo prazo. Muitas pessoas entram quando o mercado já está subindo, ou pior, já sem suas máximas, tentando aproveitar a continuidade de uma tendência de alta”, diz.
Nos últimos dois anos, o mercado acionário brasileiro passou por um ciclo expressivo de valorização. Segundo Queiroz, a bolsa saiu de cerca de 96 mil pontos em março de 2023 e chegou a ultrapassar os 190 mil pontos antes das recentes correções do mercado. “Foi um movimento de alta muito forte. Quando o mercado sobe aparece muita gente nova querendo investir. Quando a bolsa cai, muitos desses investidores acabam saindo”, afirma.
Outro fator que ajuda a explicar o número ainda reduzido de investidores no Brasil é o nível de renda da população. Dados do IBGE indicam que cerca de 90% dos brasileiros recebem menos de R$ 3.500 por mês, o que limita a capacidade de poupança e investimento.
Na avaliação do investidor, esse cenário ajuda a entender por que a participação de investidores no mercado acionário ainda é baixa no país em comparação com economias mais desenvolvidas. “No Brasil apenas cerca de 2,5% da população investe na bolsa. Em países desenvolvidos esse percentual ultrapassa os 55% da população adulta. A renda média mais baixa e a ausência de educação financeira dificultam que as pessoas consigam separar dinheiro para investir”, afirma.
Mesmo com o crescimento recente, Queiroz avalia que o aumento registrado no Piauí ainda não representa uma mudança estrutural no perfil de investimentos da população do estado. “Eu não vejo isso como um protagonismo real. É apenas um aumento pequeno dentro de um universo que ainda é muito limitado”, conclui.
Crescimento reflete expansão do acesso digital ao mercado financeiro
A economista Eline Val, que é assessora em investimentos, faz mesma avaliação. Ela diz que o dado divulgado pela B3 não significa que o Piauí tenha se tornado um polo relevante em volume de investimentos, mas indica um movimento de ampliação do acesso ao mercado de capitais no país.
Para a economista, parte desses investimentos estão relacionados à expansão das contas digitais e das fintechs, que ampliaram o acesso ao sistema financeiro e às plataformas de investimento. “Quem antes não tinha banco passou a ter acesso a corretoras em poucos cliques, e o Nordeste foi uma das regiões que mais sentiu esse impacto”, afirma.
Outro ponto observado pela economista é o processo gradual de desconcentração geográfica do mercado de capitais brasileiro. Embora a maior parte dos investidores ainda esteja concentrada na região Sudeste, outras regiões vêm registrando crescimento relativo importante. “O mercado de capitais ainda é muito concentrado no eixo Rio-São Paulo, mas esse movimento mostra que ele começa, ainda que lentamente, a se espalhar por outras regiões do país”, diz.
Para ela, o avanço recente no número de investidores no Piauí funciona como um “termômetro” do processo de inclusão financeira no país. O crescimento existe e é relevante, mas ainda ocorre de forma gradual e sobre uma base limitada de investidores.
Mulheres investem maiores valores que homens
A economista também chama atenção para um dado curioso sobre o perfil dos investidores. Apesar de ainda serem minoria, as mulheres que investem costumam aplicar valores médios maiores do que os homens. De acordo com dados da B3, o valor médio investido por mulheres gira em torno de R$ 3 mil, contra cerca de R$ 1,6 mil entre os homens. “Mulheres ainda investem menos em número, mas quando entram no mercado tendem a ter uma estratégia mais estruturada e foco maior no longo prazo”, afirma.




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