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Carreira & Gestão

Novo Ciclo Econômico

Piauí entra no radar de investidores e registra avanço nas fusões de empresas, diz especialista

Movimento cresce no Nordeste e aponta nova fase de profissionalização e valorização dos negócios locais

Dulce Luz 31/03/2026 às 09h34 (últ. atualiz.: 08/04/2026 às 15h01) 5 min de leitura 1.343 visitas
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O grupo Insolo, no Piauí, foi vendido para a a empresa Terrus em 2021 por R$ 1,8 bilhão

O grupo Insolo, no Piauí, foi vendido para a a empresa Terrus em 2021 por R$ 1,8 bilhão

O mercado de fusões e aquisições de empresas começa a ganhar força no Piauí e esse novo ciclo econômico tem chamado a atenção de investidores de fora. As áreas com maior potencial são, principalmente, setores como agronegócio, construção civil e saúde. A avaliação é do private banker Arthur Madeiro, profissional no mercado financeiro que gere o patrimônio de clientes locais de alta renda há cerca de dez anos. Ele presta consultoria na área de gestão de investimentos e planejamento sucessório com o objetivo de preservar ou aumentar a fortuna dos investidores.

No Piauí, o movimento de fusões e aquisições ainda é considerado recente, mas já envolve valores expressivos. “São operações que ultrapassam a casa dos bilhões de reais”, afirma Madeiro, que vem comandando negociações de alto valor.

Private banker Arthur Madeiro faz a gestão do patrimônio de clientes com alta renda 

 

Nos últimos anos, entre as fusões e aquisições realizadas no Piauí estão as empresas Insolo e Terrus, Bioanálise e Sabin e Hospital Vilar e Vison One.

Apesar desse avanço, Madeiro chama a atenção para desafios estruturais importantes. A cultura de empresas familiares, bastante presente na região, muitas vezes não prioriza práticas como governança corporativa, planejamento sucessório e organização financeira. Isso impacta diretamente na capacidade de investimentos e até no valor real das empresas. “Profissionalizar não é opção, é o que define o valor do negócio. Governança deixou de ser diferencial, virou pré-requisito”, diz o especialista

Um dos pontos centrais nesse processo é o valuation, método que calcula quanto uma empresa realmente vale. De acordo com o especialista, muitos empresários ainda baseiam suas expectativas em percepções pessoais. “Valor não é o que o dono acha, é o que o mercado paga. Quem não sabe quanto vale, negocia em desvantagem”, alerta Madeiro.


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Esse cenário ajuda a entender por que as pequenas e médias empresas estão no centro das movimentações. Segundo o private banker, para investidores, o tamanho não é o principal fator. “O investidor não compra tamanho, compra potencial. Uma empresa pequena e desorganizada é risco. Já uma pequena organizada vira oportunidade”, afirma.

Uma aquisição ou uma fusão não é vista apenas como venda de negócios, mas como uma estratégia de crescimento. “A entrada de sócios ou investidores pode ampliar a capacidade de expansão, melhorar a gestão e aumentar o valor da empresa no mercado. “Precisamos esclarecer que capital não tira controle. Acelera crescimento. Muitas vezes é melhor ter parte de algo grande do que 100% de algo pequeno”, explica o especialista.

Especialista diz que tendência é o aumento do interesse de investidores (Foto: Jakub Zerdzicki)

 

Para ele, o principal ponto de virada está na mudança de mentalidade dos empresários. “Pensar em fusões e aquisições não é sobre vender, é sobre valer mais. Liquidez também é estratégia”, conclui, observando ainda que o interesse externo não reduz o protagonismo local, mas acelera o desenvolvimento de negócios. 

A tendência, sendo o private banker, é de avanço da profissionalização e o aumento do interesse de investidores, consolidando o Piauí como um mercado cada vez mais relevante no cenário nacional de negócios.


Algumas operações já realizadas no Piauí

  • No agronegócio, a Terrus adquiriu a Insolo pouco depois da pandemia, reforçando sua presença no setor. 
  • Na área da saúde, o Hospital de Olhos Francisco Vilar firmou associação com o grupo nacional Vision One, ampliando sua atuação. 
  • Já no segmento de análises clínicas, a Bioanálise foi comprada pelo Grupo Sabin, que assumiu cerca de 80% do negócio. 
  • Um dos movimentos mais antigos foi na década de 2010, quando o grupo liderado por Jorge Batista já havia iniciado um processo de consolidação ao adquirir farmácias no estado, antecipando uma tendência que hoje se intensifica.
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