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Com mais de 720 quilômetros de malha concluída e previsão de chegar ao Porto do Pecém (CE) em dezembro de 2027, a Ferrovia Transnordestina está deixando de ser promessa para se tornar oportunidade concreta de negócios no Piauí. Foi essa a mensagem que Alex Trevisan, diretor-comercial e de Terminais da Transnordestina Logística S.A. (TLSA), apresentou nesta terça-feira (7) durante reunião do Conselho Piauí Export, em Teresina.
O encontro realizado no Espaço S, no Teresina Shopping, reuniu produtores de grãos do sul do Piauí, gestores públicos, industriais, empresários do setor de logística e representantes da Equatorial Energia e Águas do Piauí.
Os dois terminais de carga da ferrovia no Piauí, cujo objetivo principal é transportar grãos até os portos de Pecém e Suape (Pernambuco), terão também outras finalidades. “Além de ter um ponto onde a ferrovia faz o carregamento, a gente tem mais áreas disponíveis para parceiros. Então, o empresário que quer montar uma tancagem de combustível, a gente já deixa reservada uma área para tancagem de combustível, por exemplo”, afirmou Trevisan.
Somando à tancagem de combustível, a TLSA pretende disponibilizar áreas dentro dos terminais para parceiros privados instalarem estruturas como processamento de grãos, farelo e armazenamento de fertilizantes. “A ideia é a gente atrair o próprio dono da carga, porque a logística para ele fica reduzida”, comentou o diretor.
Para o presidente do Conselho Piauí Export, Islano Marques, o momento exige atenção estratégica do setor privado. "A Transnordestina é a maior obra de infraestrutura do Nordeste hoje, resolvendo um grande problema de logística do estado e da região", afirmou, destacando o impacto que a ferrovia vai gerar especialmente no Piauí, desde os terminais que serão construídos e em todos os municípios por onde a ferrovia passará.
Outro benefício é que a ferrovia de mais de 1.200 quilômetros não terá apenas fluxo de mão única. Em mais uma das etapas de teste da ferrovia, iniciadas no final de 2025, esta semana um carregamento de calcário sairá de Pernambuco com destino ao Piauí — na direção inversa à da exportação de grãos. No futuro, fertilizantes, gesso agrícola e derivados de petróleo também devem percorrer esse caminho de volta, barateando o custo dos insumos para o produtor piauiense.
A estratégia da concessionária passa por dois terminais no Piauí. O TIP (Terminal Intermodal do Piauí), em Bela Vista do Piauí, tem a primeira fase prevista para julho, com operação de grãos e perspectiva futura para minério. Já o TEM (Terminal de Eliseu Martins), que deve ter a entrega antecipada para 2028, vai ser o de maior diversidade: grãos, etanol, fertilizantes, calcário, algodão e carga geral.
Segundo Trevisan, terminais de grande porte podem atrair entre 500 e 700 carretas por dia, movimentando a economia local.
Além do setor produtivo, os benefícios da Transnordestina passam pela valorização imobiliária ao longo do traçado, a geração de empregos diretos e indiretos, a atração de indústrias que buscam energia e saída logística, e o surgimento de novos negócios — restaurantes, postos, hotéis, borracharias.
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