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A capacidade de crescimento rápido, a validação do produto no mercado e, principalmente, a qualidade do time por trás do negócio são os três critérios-chave para que uma startup possa receber investimentos. Foi essa a mensagem transmitida por empresas de fundos de investimentos durante o Conexão Capital, ação realizada nesta sexta-feira (17) dentro da Feira do Empreendedor 2026, que acontece até este sábado (18), no Centro de Convenções de Teresina.
Representando o GV Angels, o investidor João Neves explica que o fundo, formado por ex-alunos da Fundação Getúlio Vargas, recebe dezenas de startups todos os meses, mas seleciona poucas para apresentar aos investidores. “Hoje a gente avalia cerca de 45 empresas por mês e escolhe três. Dessas, em média, uma recebe investimento”, afirma.
Segundo ele, há critérios mínimos claros. A startup precisa já estar faturando e ter um time estruturado. “Ela tem que ter pelo menos 30 mil reais de faturamento mensal e dois a três cofundadores com habilidades complementares. Esses são pontos básicos para avançar”, explica.
Outro fator decisivo é a possibilidade de crescimento em escala. Negócios muito tradicionais tendem a ter mais dificuldade de atrair investimento. “O que todos os fundos olham é a escalabilidade. Se não consegue crescer rápido, fica mais difícil gerar o retorno esperado”, resume.
Na mesma linha, a rede Anjos do Brasil, que atua há mais de uma década conectando investidores a startups, também busca negócios já validados. De acordo com o diretor de investimentos Gabriel Stobiecki, a exigência mínima é que a solução já tenha sido testada no mercado. “A gente procura startups com MVP validado e, de preferência, com alguma receita recorrente. Isso mostra que o cliente realmente quer pagar por aquela solução”, afirma.
Ele destaca que o diferencial do investimento anjo vai além do dinheiro. “Quem investe quer também participar, mentorar, acompanhar o empreendedor. É o chamado smart money, que envolve capital financeiro e conhecimento”, diz.
Esse acompanhamento próximo também aparece como característica do fundo Inova Startups SC, ligado ao Sebrae e com atuação nacional. A gestora Isabel Victoria explica que, além do investimento, as startups recebem suporte durante o crescimento. “A gente olha muito para o time e para o mercado. Queremos startups com MVP validado, faturamento inicial e sócios que se complementam”, afirma.
No caso do fundo, há ainda critérios objetivos, como faturamento mínimo e limite de valor de mercado. “Normalmente, a startup já precisa estar faturando pelo menos 10 mil reais por mês e ter um valuation de até 15 milhões”, detalha.
Outro ponto destacado é o acompanhamento após o investimento. “Não é só colocar dinheiro. A gente acompanha por um ano, com mentoria e conexão com o mercado, ajudando a resolver problemas de vendas, marketing e gestão”, explica.
Já a Ventiur Smart Capital, que opera o fundo Inova Nordeste, chama atenção para um aspecto muitas vezes pouco discutido: o risco. Segundo o sócio fundador Carlos Klein, investir em startups exige uma visão de portfólio. “Os números mostram que, a cada dez investimentos, um dá muito certo. Por isso, a gente investe em várias startups ao mesmo tempo”, afirma.
Mesmo assim, tem um critério indispensável. “A pergunta que a gente faz é: esse negócio pode valer dez vezes mais no futuro?”, explica. A lógica é simples: o retorno do investimento vem quando a startup cresce e é vendida ou recebe novos aportes. Por isso, os investidores procuram negócios capazes de se expandir rapidamente e ganhar mercado.
Dados de organizações como a Associação Brasileira de Startups indicam que mais de 70% das startups no país não chegam à fase de crescimento, o que reforça a importância desses critérios mais rigorosos na seleção. Ao mesmo tempo, o Brasil já ultrapassa a marca de 13 mil startups ativas, segundo levantamentos recentes do setor, mostrando um ambiente cada vez mais competitivo.
Durante a ação em Teresina, os investidores também destacaram o amadurecimento do ecossistema local. A aproximação entre empreendedores e fundos é vista como um passo importante para ampliar o número de negócios inovadores no estado.




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