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Produzir isolantes térmicos e conforto acústico a partir da bioespuma do buriti, fruto típico do Piauí. Esse é o trabalho da Buriti BioEspuma, startup desenvolvida na Universidade Federal do Piauí (Ufpi) que acaba de conseguir um aporte superior a R$ 2 milhões. O recurso veio após a seleção da empresa para a segunda fase do Lab Procel II, programa nacional voltado à eficiência energética. A Buriti BioEspuma está entre as quatro selecionadas em todo o país.
A startup integra a Incubadora de Empresas do Agronegócio da UFPI (Ineagro) e é formada por pesquisadores e profissionais das áreas de engenharia, arquitetura, farmácia e administração. A matéria-prima é obtida por meio de extrativismo sustentável.
Quem articulou a indicação da startup para concorrer ao edital foi a gerente de Inovação da Ufpi, Elayne Figueiredo. Ela conta que a conexão começou durante o evento Desafio StartUFPI 2025, quando conseguiu trazer pesquisadores do Senai Pernambuco para conhecer as startups incubadas na universidade. “Eles começaram a perceber a relevância que a gente tinha enquanto desenvolvimento de tecnologias aqui no Nordeste”, diz.
Quando o edital do Lab Procel foi lançado, os pesquisadores do Senai entraram em contato com ela. Elayne então procurou as incubadoras da UFPI e listou as startups com potencial na área de economia circular. A escolhida foi a Buriti BioEspuma. “A gente queria realmente algo que representasse o Piauí para colocar o estado nessa rota de tecnologia”, afirma.
Com o investimento, a startup pretende avançar tecnicamente sua linha de produtos, com foco em soluções para eficiência energética na construção civil. Entre as ações previstas estão testes laboratoriais, certificações, melhoria das propriedades do material e estruturação da produção em escala piloto.
Os recursos também serão utilizados na aquisição de equipamentos e na realização de projetos demonstrativos em edificações reais, além da medição do impacto energético e ambiental da tecnologia, incluindo redução de emissões de carbono.
Para o cofundador da startup, Felippe Fabricio, a proposta se diferencia por atuar de forma integrada. “Além de contribuir para a redução da carga térmica das edificações e da demanda por climatização artificial, o material apresenta baixa energia incorporada, em função de sua origem vegetal e do processo produtivo de baixa intensidade energética”, afirma.
Elayne Figueiredo avalia o potencial da tecnologia como incrível e cita um exemplo marcante: “Se na época que a gente teve aquele desastre na boate Kiss, onde as pessoas morreram queimadas por conta do conteúdo inflamável da acústica da boate, se fosse uma tecnologia da Buriti BioEspuma, a boate com certeza não teria queimado, as pessoas não teriam morrido, porque ele é não inflamável.” Para ela, a tecnologia é promissora nacional e internacionalmente.
Geração de renda no extrativismo
O projeto também prevê impacto social, com a organização de cadeias produtivas baseadas no extrativismo do buriti, gerando renda para comunidades locais no Piauí e em outros estados.
Elayne destaca que a startup foi desenvolvida com o suporte da Ufpi e que esse resultado ajuda a atrair novos investimentos e fortalecer as startups locais. “A gente quer que a startup cresça cada vez mais, para que seja um dos nossos cases de sucesso da universidade, para mostrar que sim, o Piauí tem tecnologia”, afirma.
O papel da Ufpi no apoio às startups vai desde a formação dos alunos até a criação de ações efetivas para que o conhecimento saia da sala de aula e chegue ao mercado. Elayne também menciona que outras startups com bom potencial estão sendo preparadas, como uma que desenvolve protetor solar para plantas, uma plataforma de educação, soluções de melhoramento genético e um sistema para purificar água a partir de sementes. A expectativa é que cada vez mais iniciativas piauienses ganhem visibilidade e recursos.




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