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Indústria

Mercado aquecido

Avanço de agroindústrias no Piauí faz demanda por energia superar oferta

Expansão de projetos produtivos exige reforços na infraestrutura elétrica para acompanhar o novo ritmo econômico

Dulce Luz 24/04/2026 às 15h17 (últ. atualiz.: 27/04/2026 às 07h34) 7 min de leitura 836 visitas
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Brasbio investiu em geração própria de energia para garantir  as operações (Foto: Governo do Piauí)

Brasbio investiu em geração própria de energia para garantir as operações (Foto: Governo do Piauí)

O avanço de investimentos no agronegócio e na agroindústria no interior do Piauí nos últimos anos tem resultado em uma demanda tão grande de energia que está superando a oferta disponível. De acordo com o gerente tático de experiência do cliente da Equatorial Piauí, Joaquim Milhomem, esse crescimento passou a ser mais evidente nos últimos anos. “Na nossa visão, é mais marcante a partir de 2023. As demandas de irrigação chegaram em patamares que não eram conhecidos antes”, afirma.

Um dos exemplos mais claros desse avanço está na região de Baixa Grande do Ribeiro, município que está entre os maiores produtores de soja do Brasil. Uma subestação da Equatorial Energia projetada para atender até 10 megawatts rapidamente se tornou insuficiente diante da chegada de grandes produtores. “Nós tínhamos uma demanda em torno de 3,5 megawatts. De repente, um único consumidor solicitou 20 megawatts, e isso estimulou outros produtores. Mapeamos ali uma demanda de cerca de 200 megawatts”, destaca Milhomem.

Os novos empreendimentos somam bilhões de reais em projetos de irrigação, produção de grãos, biocombustíveis, frigoríficos e processamento de alimentos, distribuídos principalmente no Sul do estado.

Subestão de Equatorial Piauí

 

Em cenários de crescimento acelerado, como o observado atualmente no Piauí, pode haver necessidade de expansão da infraestrutura elétrica. Segundo o gerente, isso acontece porque o sistema elétrico segue um modelo regulado e dividido por responsabilidades. “Quando há uma demanda que extrapola o limite da distribuidora, é necessário o reforço da rede básica, que é de responsabilidade do governo federal”, explicou.

Esse avanço já é visível na prática com a instalação e o anúncio de grandes projetos privados. Nos últimos dois anos, o Grupo Franciosi investiu R$ 240 milhões em projetos de irrigação no sul do estado e prepara novos aportes de cerca de R$ 60 milhões na cadeia do algodão. Já a Agro Fritzen aplicou R$ 52 milhões no setor algodoeiro. 

Gerente tático de experiência do cliente da Equatorial Piauí, Joaquim Milhomem

 

No horizonte dos próximos anos, os investimentos ganham ainda mais escala. Projetos previstos somam mais de R$ 2,4 bilhões, com destaque para a instalação de um frigorífico da Friato, em Uruçuí, com investimento de R$ 2,1 bilhões e potencial de geração de mais de 4 mil empregos. Em Ribeiro Gonçalves, a Piauhy já investindo R$ 150 milhões em outro frigorífico, enquanto a M2A prevê aporte semelhante em Piracuruca.

A diversificação também aparece em novos segmentos. Na área de biocombustíveis, a Brasbio investe cerca de R$ 1,18 bilhão em uma usina em Uruçuí, enquanto a Nordeste Bioenergia projeta R$ 530 milhões em Ribeiro Gonçalves.

Friato está instalando frigorífico em Uruçuí, com investimento de R$ 2,1 bilhões (Foto: Governo do Piauí)

 

Já no setor de laticínios, a Vale do Gurguéia prepara um investimento de R$ 234 milhões em Cristino Castro. No campo da irrigação, novos projetos como os da Food for All, com R$ 40 milhões em Simplício Mendes, e da InSolo, com R$ 500 milhões em Baixa Grande do Ribeiro, reforçam o potencial produtivo da região.

Para acompanhar esse novo ritmo, a Equatorial Piauí planeja investir em áreas estratégicas do cerrado piauiense, como Ribeiro Gonçalves e Uruçuí. Com apoio do Governo do Estado, que aprovou subvenção de R$ 80 milhões, e recursos da própria distribuidora, o total de investimentos pode chegar a cerca de R$ 150 milhões para ampliar e modernizar subestações nessas regiões.

No campo da irrigação, a InSolo está investindo R$ 500 milhões em Baixa Grande do Ribeiro 

 

A expectativa é que essas melhorias garantam energia suficiente para sustentar a chegada de grandes empreendimentos e consolidar o sul do Piauí como um dos principais polos agroindustriais do país. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética, o consumo de energia elétrica no Brasil tem crescido de forma consistente, impulsionado principalmente pelos setores industrial e agropecuário. No Nordeste, esse crescimento tem sido ainda mais intenso, refletindo a interiorização do desenvolvimento econômico.

Para Joaquim, o momento vivido pelo Piauí mostra uma mudança estrutural na economia do estado. “Nós sempre tivemos demandas de irrigação, mas eram cargas mais modestas. Agora estamos falando de grandes produtores demandando grandes cargas, em um ritmo muito mais acelerado”, afirmou.

A demanda por energia também tem crescido em Teresina (Foto: Ascom Equatorial)

 

Enquanto os reforços na rede elétrica não acompanham o ritmo da demanda, empresas têm buscado alternativas para garantir o funcionamento das operações. Entre os casos citados está o da Brasbio, usina em implantação voltada à produção de etanol de milho e sorgo, que optou por investir em geração própria de energia para garantir o funcionamento das operações. “Eles não puderam esperar os prazos para os reforços na infraestrutura e decidiram gerar a própria energia. Hoje, parte é atendida pela Equatorial e parte pela geração própria”, explicou Joaquim.

Além de projetos do interior do Estado, a demanda também tem crescido em Teresina. Um exemplo é a fazenda África, localizada na zona rural da capital, onde a distribuidora já atua com obras em ritmo acelerado para acompanhar o crescimento da demanda. “À medida que a indústria avança, nós vamos acompanhando com a expansão da rede para garantir o atendimento”, afirmou o gerente.

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