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Com a entrada em vigor da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), a partir de 26 de maio, especialistas defendem que as empresas adotem uma postura mais preventiva em relação à saúde mental dos colaboradores, identificando sinais de adoecimento antes mesmo do surgimento de sintomas mais graves.
Essa foi a prinicipal visão da consultora Adriana Fellipelli durante o evento Conexões que Transformam, realizado nesta terça-feira (28), no Sesc Cajuína, em Teresina, promovido pela Fundação Octávio Miranda. A especialista é CEO da Fellipelli Comportamento Humano, empresa especializada em desenvolvimento humano e organizacional.

Fellipelli acredita que a empresa deve observar o colaborador com atenção antes de ele adoecer. “O foco da NR-1 está em tratar o indivíduo após o surgimento dos sintomas. Mas o ideal é atuar antes disso. Não se trata apenas de oferecer salas de descompressão ou aplicativos de meditação, mas de identificar, avaliar e corrigir fatores de risco antes que levem ao afastamento”, destacou.
A atualização da NR-1 estabelece novas diretrizes sobre saúde e segurança no trabalho, incluindo a avaliação de fatores como estresse, riscos psicossociais, assédio moral e violência no ambiente corporativo — elementos que impactam diretamente a saúde mental e a produtividade.
Segundo a especialista, historicamente, as empresas concentraram esforços na prevenção de acidentes físicos, com a implementação de estruturas como a CIPA. No entanto, o cenário atual exige um olhar mais atento à saúde mental. Dados do INSS indicam que afastamentos por burnout, depressão e ansiedade têm impacto significativo nas organizações.
Durante o evento, Alessandra Oliveira, também da Fellipelli Comportamento Humano, apresentou a plataforma Emotiva, ferramenta voltada à mensuração do clima organizacional e da saúde mental dos colaboradores. A metodologia permite avaliações periódicas — mensais ou trimestrais — com a participação de toda a equipe.
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Seis fatores principais são analisados: energia emocional, desgaste, realização profissional, propósito, relações interpessoais e conexão com o trabalho. Os resultados permitem identificar tendências que favorecem ou prejudicam o bem-estar no ambiente corporativo.
Esses dados também ajudam a mapear o chamado “risco de descarrilamento”, associado ao aumento da probabilidade de adoecimento mental e queda de desempenho. “Mudanças na liderança, metas inalcançáveis ou falhas na gestão podem desencadear esse processo”, explicou Oliveira.
Como solução, as especialistas defendem a adoção de práticas estruturais dentro das empresas, como fortalecimento da comunicação, ouvidoria ativa e revisão constante de processos internos.
Para Adriana Fellipelli, a melhoria do ambiente organizacional passa por diretrizes claras. “É fundamental estabelecer regras bem definidas, alinhar processos às demandas da empresa e garantir que lideranças tenham metas e responsabilidades claras. A ambiguidade dentro do sistema organizacional é um fator de risco que precisa ser eliminado”, concluiu.
Para ela, o autoconhecimento é um ponto central nesse processo. “Quando você é uma pessoa que se conhece, você consegue descobrir no que você é bom. A gente não precisa ser bom em tudo. A gente tem nossas características e são essas que a gente tem que incentivar”, afirmou.




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