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Após anunciar a aposta no cultivo de cacau como uma nova fronteira do agronegócio, o Piauí começa a dar passos concretos para transformar o projeto em realidade. A iniciativa, liderada pela cooperativa Coopercacau, entra agora na fase de implantação das primeiras áreas produtivas no estado.
As primeiras mudas já foram adquiridas na Bahia e começam a ser implantadas em junho no município de Juazeiro do Piauí. Ao todo, são 18 mil mudas de cacau destinadas à formação de 15 hectares de plantio inicial. O projeto prevê a colheita em cerca de 18 meses.
De acordo com o diretor seccional da cooperativa, Luiz Alberto Santos, a estratégia segue o modelo já defendido anteriormente pela cooperativa: o cultivo consorciado, voltado principalmente à agricultura familiar. Além do cacau, a área contará com outras culturas integradas. “Nós vamos iniciar de maneira intensiva com o café, a pimenta-preta e o cacau. E nas entrelinhas, culturas como melancia, milho, feijão e mandioca”, disse Santos.
Uma das novidades nesta fase é justamente a introdução do café robusta, que passará por testes de adaptação ao clima semiárido piauiense. “Queremos fazer uma caracterização para saber se esse café se adapta bem ao nosso clima, já que ele vem sendo plantado em outras regiões com excelente sucesso”, destacou.
O modelo inclui ainda o uso da pimenta-do-reino como quebra-vento natural, auxiliando na proteção das mudas de cacau — um fator importante para o desenvolvimento da cultura em condições ainda pouco exploradas no estado. Essa etapa inicial está sendo viabilizada com recursos privados. “O projeto é 100% privado. O próprio produtor está custeando todas as despesas de implantação”, afirmou o diretor.
A propriedade escolhida para essa primeira experiência será transformada em uma espécie de vitrine tecnológica. “A ideia é que ela se torne um centro de visitação, onde as pessoas possam conhecer e entender a dinâmica de plantio dessa cultura”, disse.
A expansão, no entanto, já está em curso. Segundo Luiz Alberto, há novos polos em desenvolvimento em diferentes regiões do estado. Em Miguel Alves, por exemplo, está prevista a implantação de 20 hectares com participação de 22 produtores, em parceria com o poder público local. Já em Picos e Uruçuí, grupos de produtores também avançam nas etapas preparatórias.
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No total, 89 produtores piauienses já demonstraram interesse formal no cultivo e concluíram as etapas iniciais, como análise de solo e viabilidade técnica. O número reforça o potencial de capilarização do projeto, especialmente entre pequenos e médios produtores.
Outro eixo estratégico é a criação de um centro de produção de mudas em Teresina, previsto para entrar em operação em 2027. A estrutura deve reduzir a dependência de outros estados, como a Bahia, atualmente referência nacional no cultivo. “Nós já adquirimos a propriedade e vamos iniciar a preparação da área para formar o banco de germoplasma”, explicou Luiz Alberto.
A nova fase reforça as projeções apresentadas anteriormente pelo setor, que apontam para um cenário de expansão significativa. O plano inicial prevê 20 mil hectares de cacau na primeira etapa, com potencial de movimentar cerca de R$ 2 bilhões por ano até 2030.




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