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A empresa canadense Origen Resources ampliou a escala de seu projeto de terras raras no Piauí e firmou acordo para adquirir participação de até 90% em dois projetos de pesquisa mineral no estado. Com a nova etapa, a companhia passou a controlar cerca de 35,5 mil hectares em áreas com potencial para esse tipo de mineralização, consolidando uma das maiores iniciativas de pesquisa mineral voltadas a terras raras atualmente em andamento no Nordeste brasileiro.
O movimento tem relação direta com a expansão do projeto aos trabalhos iniciados no começo de 2026 nos municípios de Geminiano e Itainópolis, onde a empresa vinha realizando levantamentos geológicos preliminares para identificar áreas com potencial econômico.
Com base nos primeiros resultados obtidos em campo, a companhia decidiu ampliar sua presença territorial para capturar possíveis extensões das formações mineralizadas na região. Segundo a empresa, análises iniciais indicaram concentrações de até 1,61% de TREO, sigla utilizada para óxidos totais de terras raras, índice considerado relevante para projetos ainda em fase inicial de exploração.
Os dados coletados em campo também apontaram mineralizações associadas a camadas ricas em fosfato, em linha com levantamentos anteriores do Serviço Geológico do Brasil (SGB), que já haviam identificado ocorrências minerais estratégicas na borda oriental da Bacia do Parnaíba. A partir dessas evidências, a Origen passou a estruturar um projeto com escala de distrito mineral, ampliando o controle sobre áreas onde essas formações geológicas podem se estender.
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Um dos pontos que mais chamam atenção no projeto é justamente o tipo de depósito identificado. As características geológicas observadas até o momento indicam ocorrências compatíveis com o modelo conhecido como argila de adsorção iônica, considerado um dos mais estratégicos do mundo para exploração de terras raras.
Esse modelo ganhou relevância internacional por apresentar potencial de processamento menos intensivo em energia e reagentes quando comparado aos depósitos tradicionais de rocha dura. Na prática, isso pode reduzir custos operacionais e impactos ambientais relativos do processo de extração mineral.
Em um mercado global ainda fortemente concentrado na China, projetos com esse perfil passaram a ser vistos como estratégicos para diversificação da oferta mundial de minerais críticos. Esse material é utilizado em setores como veículos elétricos, turbinas eólicas, defesa, baterias, chips e equipamentos de alta tecnologia.

Em comunicado oficial publicado no seu site, o CEO da Origen Resources, Gary Schellenberg, destacou o potencial geológico da região. “Esse projeto tem todos os elementos para se tornar algo significativo e colocar essa região do Brasil em destaque no setor de terras raras”, afirmou.
Pelo acordo firmado, a empresa assumiu o compromisso de investir pelo menos US$ 1 milhão em atividades de exploração mineral nos próximos dois anos, etapa necessária para aprofundamento das pesquisas geológicas e avaliação da viabilidade econômica do projeto. Projeto ainda está em fase exploratória
Apesar do avanço das pesquisas, os projetos ainda estão em fase exploratória e não possuem, até o momento, reservas economicamente comprovadas nem autorização para lavra comercial.

O avanço da Origen ocorre em um momento de crescimento do interesse internacional sobre minerais críticos no Brasil. Dados públicos da Agência Nacional de Mineração (ANM) e do Serviço Geológico do Brasil indicam dezenas de processos ativos relacionados à pesquisa de terras raras no Piauí, reforçando o interesse crescente do setor sobre o potencial mineral do estado.
Levantamentos recentes do SGB identificaram pelo menos 39 novas ocorrências minerais na borda oriental da Bacia do Parnaíba, incluindo áreas associadas a fósforo, urânio e elementos terras raras. Nesse contexto, o Piauí começa a ganhar espaço no mapa brasileiro da mineração estratégica e passa a atrair atenção crescente do mercado internacional de minerais críticos.
Com a ampliação territorial, os novos investimentos em pesquisa e a busca por depósitos considerados mais competitivos do ponto de vista operacional, o projeto da Origen se insere em um movimento global de disputa por minerais essenciais para a transição energética e para a nova indústria tecnológica mundial.




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