Entre no
nosso grupo!
WhatsApp
  RSS
  Whatsapp
  RSS
  Whatsapp
Tradutor:

Indústria

Inovação

Piauí entra na corrida da indústria 4.0 com programa da Sudene

Iniciativa articula universidades e setor produtivo para acelerar transformação digital e ampliar produtividade

Robert Pedrosa e Dulce Luz 28/05/2026 às 08h35 (últ. atualiz.: 29/05/2026 às 08h26) 10 min de leitura 825 visitas
Compartilhar com UTM
Link copiado! Agora você pode colar o link com UTM no seu Instagram.
Link copiado! Agora você pode colar o link com UTM no seu Instagram.
Núcleo da Nova Indústria Brasil foi lançado no Espaço S, em Teresina (Fotos: Robert Pedrosa)

Núcleo da Nova Indústria Brasil foi lançado no Espaço S, em Teresina (Fotos: Robert Pedrosa)

Por décadas, modernizar a indústria significava comprar máquinas mais novas. Agora, o desafio passou a ser outro: conectar dados, automatizar processos e usar inteligência artificial para aumentar produtividade. É nessa transição que o Piauí tenta entrar com a criação do Núcleo da Nova Indústria Brasil (N-NIB), lançado nesta quarta-feira (27) pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) em parceria com a Universidade Federal do Piauí (Ufpi) e a Federação das Indústrias do Estado do Piauí (Fiepi).

O projeto, lançado no Hub de inovação Espaço S, em Teresina, terá duração inicial de um ano, integra a estratégia do programa federal Nova Indústria Brasil e busca aproximar empresas, universidades, centros de pesquisa e instituições de fomento para ampliar produtividade, eficiência e inovação dentro do parque industrial nordestino.

 

 José Farias, diretor de Promoção do Desenvolvimento Sustentável da Sudene

 

A proposta parte de uma mudança estrutural no setor produtivo: a transformação digital deixou de ser tendência e passou a ser condição de competitividade. Hoje, produtividade industrial está diretamente ligada à capacidade de integrar dados, automatizar processos e utilizar inteligência artificial para reduzir desperdícios, prever falhas e otimizar operações.

“A empresa gera uma quantidade enorme de dados todos os dias. Quando ela consegue usar essas informações para prever falhas, reduzir manutenção ou otimizar produção, ela aumenta eficiência sem necessariamente ampliar custos”, explicou José Farias, diretor de Promoção do Desenvolvimento Sustentável da Sudene.Segundo ele, grande parte das pequenas e médias empresas ainda enxerga inovação como custo, quando na verdade a digitalização pode representar ganho de produtividade e redução de desperdícios.

 

O que é indústria 4.0

A chamada indústria 4.0 está ligada ao uso de tecnologias digitais dentro dos processos produtivos. Isso inclui sensores inteligentes, robótica, automação industrial, internet das coisas, computação em nuvem, monitoramento em tempo real e inteligência artificial aplicada à produção.A proposta é transformar linhas industriais tradicionais em estruturas mais conectadas, eficientes e capazes de tomar decisões baseadas em dados.

Para Roger Jacob, diretor regional do Senai no Piauí, a modernização industrial brasileira passa justamente pela incorporação dessas tecnologias no cotidiano das fábricas. “A indústria 4.0 usa ferramentas digitais dentro do processo produtivo. São válvulas automatizadas, robôs, sistemas decisórios e inteligência artificial aplicada na produção. Isso reduz o trabalho repetitivo e aumenta a produtividade”, afirmou.

Roger Jacob, diretor regional do Senai no Piauí

 

Segundo ele, a principal necessidade do Brasil hoje é acelerar essa transição tecnológica, já que boa parte do parque industrial nacional ainda opera com equipamentos antigos.“O grande desafio da indústria brasileira, inclusive a piauiense, é dar esse salto para a indústria 4.0, que vai viabilizar esse transporte para o futuro”, disse.

Jacob destacou ainda que o Piauí já possui indústrias adotando processos automatizados, como a Cevap, apresentada durante o evento. “Temos empresas piauienses que já estão caminhando para isso. A Cevap, por exemplo, já utiliza robôs na linha de produção e processos bastante automatizados”, afirmou.

A proposta é transformar linhas industriais tradicionais em estruturas mais conectadas, eficientes e capazes de tomar decisões baseadas em dados. No caso do programa lançado pela Sudene, uma das primeiras etapas será justamente medir o nível de digitalização das empresas piauienses.

 

Entre as ações previstas estão workshops, visitas técnicas e diagnósticos de maturidade digital, avaliação que identifica o grau de integração das empresas com tecnologias e processos digitais, apontando gargalos e oportunidades de modernização. O programa também prevê apoio técnico para desenvolvimento de projetos, criação de portfólios estratégicos ligados às vocações econômicas do estado e oferta de residências tecnológicas para profissionais da área.

 

O ganho aparece na prática

Durante o lançamento do programa,  a indústria piauiense de arroz Cevap apresentou sua experiência relacionadas à adoção de tecnologias industriais. Com a automação, as mudanças permitiram elevar em cerca de 6% a produtividade da linha industrial, além de reduzir custos operacionais e melhorar as condições de trabalho da equipe.

Clédima Gomes Medeiros, sócia da Cevap

 

“O novo sistema passou a gerar dados sobre a qualidade dos grãos processados e permitiu mais controle sobre toda a operação. Em períodos de safra, o ganho tende a ser ainda maior”, afirmou o engenheiro de produção José Francisco Pereira dos Santos Neto

 A sócia da Cevap, Clédima Gomes Medeiros, também destacou que a tecnologia, ao contrário do que muitos pensam, não trouxe corte de pessoal. “O robô não veio para substituir funcionário. Veio para diminuir esforço repetitivo, peso e melhorar o ambiente de trabalho”, explicou.

 

Piauí tenta ocupar espaço na nova economia industrial

A avaliação da Sudene é que o Piauí reúne condições especialmente favoráveis para avançar na nova economia industrial, principalmente por combinar expansão do agronegócio, crescimento das energias renováveis e potencial em bioeconomia.

José Farias destacou que o estado ocupa posição estratégica dentro do Matopiba, uma das principais fronteiras agrícolas do país. “O Piauí está localizado em um território estratégico do agronegócio regional. Há também potenciais importantes ligados à energia e à bioeconomia. Existe um ambiente favorável para o desenvolvimento dessa iniciativa”, afirmou. A própria estrutura do programa prevê que universidades e centros de pesquisa passem a atuar mais próximos das empresas, reduzindo a distância histórica entre produção acadêmica e setor produtivo.

 

O pró-reitor de Pesquisa e Inovação da UfpiI, Rodrigo Veras, afirmou que o estado possui capacidade científica para contribuir diretamente com a modernização industrial. “A gente quer transformar a indústria do Piauí tanto na parte digital quanto na aplicação de tecnologias 4.0. Isso significa maior produtividade, mais controle de gestão e melhoria nos processos produtivos”, afirmou.

O coordenador estadual do programa, professor Albemerc Moura de Moraes, destacou que a proposta é construir uma rede permanente de cooperação entre universidades, empresas e instituições de inovação. “Temos uma oportunidade de gerar projetos estratégicos e fortalecer os ecossistemas locais, criando modelos de negócios que solucionem desafios reais das empresas”, afirmou.

Rodrigo Veras, pró-reitor de Pesquisa e Inovação da UfpiI

 

João Xavier, presidente da Fapepi, também destacou a importância de aproximar pesquisa e mercado. “Temos muitas pesquisas e tecnologias que ainda ficam dentro das universidades. O objetivo é fazer isso sair da prateleira e chegar ao setor produtivo”, afirmou.

 

Albemerc Moura de Moraes, coordenador estadual do programa

 

Reindustrialização e produtividade

A iniciativa da Sudene surge em um momento em que o Brasil tenta recuperar competitividade industrial após décadas de perda de participação da indústria na economia nacional. A estratégia da Nova Indústria Brasil aposta justamente em digitalização, automação, inovação e modernização produtiva para aumentar eficiência e reduzir a distância tecnológica em relação aos países mais industrializados.

 

João Xavier, presidente da Fapepi

 

No caso do Nordeste, a avaliação da Sudene é que a região pode ganhar espaço justamente ao combinar energia renovável, agroindústria, bioeconomia e transformação digital. No Piauí, o programa deverá iniciar com três empresas, que participarão da primeira fase de diagnósticos e terão acompanhamento técnico. A expectativa é que o núcleo ajude a estruturar novos projetos industriais e aumente a capacidade de inovação das empresas locais nos próximos anos.  As empresas interessadas em participar do projeto devem preencher o formulário disponível no link https://tinyurl.com/pkr72xnd .

Compartilhe sua reação O que achou?
Gostei
0
Neutro
0
Incrível
0
Feliz
0
Não gostei
0
Péssimo
0

Comentários (0)

Mais de Indústria

Nossos Parceiros

Notificação de Nova Postagem
Imagem Nova Publicação McDonald’s vai instalar unidade no cruzamento das avenidas João XXIII e Zequinha Freire