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Na última sexta-feira (29) e sábado (30), estudantes de diferentes escolas do Piauí encerraram o ciclo do programa Miniempresas, iniciativa da organização Junior Achievement (JA) Piauí, apresentando produtos sustentáveis criados por eles mesmos, desde luminárias feitas com vasos reciclados até cadernos com capas de resina e refis reutilizáveis, além de suportes magnéticos multifuncionais para celulares.
Orientados por professores e trabalhando em equipe, os jovens demonstraram como a educação empreendedora no ensino médio amplia horizontes profissionais e transforma materiais descartados em soluções comerciais viáveis, unindo inovação, mercado e preservação ambiental. O ponto culminante do programa foi uma feira realizada no Teresina Shopping, nos dias 29 e 30 de maio, quando os alunos apresentaram e venderam ao público os produtos que desenvolveram.
Um dos organizadores e voluntário da JA, Fábio Falcão, explica que o processo criativo das miniempresas envolveu trabalho em equipe, orientação acadêmica e uma mentalidade voltada para a preservação ambiental. Fábio participou do programa quando era estudante e, hoje, a partir dessa experiência, afirma que a educação empreendedora no ensino médio expande os horizontes profissionais para além das carreiras tradicionais.
“No ensino médio, o foco é passar no vestibular. Não estamos tirando o foco disso, mas mostrando que, para ser médico, advogado ou qualquer outro profissional, você precisa ser empreendedor. Esse é um conhecimento que só agrega. Essa é uma experiência única. Eu participei desse projeto há 16 anos e, desde então, sou orientador porque percebi que é um projeto incrível”, destaca Fábio Falcão.
No estado do Piauí, o programa Miniempresas envolve cidades como Teresina, Parnaíba, Piripiri e outras, contando com a participação de centenas de alunos. Nesta edição, 14 miniempresas fizeram parte do projeto e aprenderam, ao longo de 12 semanas, a criar e gerir uma empresa do zero, compreendendo conceitos de marketing, recursos humanos, finanças e capitalização por meio da venda de ações.
Estudantes do Colégio Dez, de Parnaíba, apostaram na sustentabilidade para criar cadernos com capas de resina e folhas totalmente recicláveis e reutilizáveis, por meio de um sistema de refil. Francisco Cléber, de 16 anos, é aluno do segundo ano do ensino médio e um dos integrantes da miniempresa Lúmen.
“Nós queríamos criar algo que as pessoas pudessem utilizar e reutilizar para não poluir o meio ambiente. Pensamos em um caderno, mas ele não poderia ser comum, porque as folhas acabariam. Então pensamos em fazer um caderno com capa de resina e folhas totalmente recicláveis. Além disso, quando as folhas acabarem, a pessoa pode adquirir o refil que também vendemos e continuar utilizando o mesmo caderno”, explica.
Para compreender o conceito de empreendedorismo e estruturar os projetos de cada miniempresa, os alunos recebem, nas primeiras semanas, uma base teórica. Em seguida, partem para a prática: realizam pesquisas de mercado, definem o produto, organizam a linha de produção e vendem ações para arrecadar capital, sem precisar investir recursos próprios.
No Instituto Federal do Piauí (IFPI), Campus Angical, os alunos aliaram os conhecimentos adquiridos durante o projeto à sua área de formação para desenvolver um produto sustentável e tecnológico. A miniempresa Xiloo criou um xilofone feito totalmente com materiais reciclados e um aplicativo com 17 músicas nordestinas capaz de ensinar os clientes a tocar o instrumento.
“O nosso produto foi desenvolvido para ajudar pessoas ansiosas ou que enfrentam o estresse do dia a dia, a partir de um estudo que revelou que as vibrações das teclas do xilofone ajudam a acalmar os nervos e reduzir os sentimentos de ansiedade e estresse. Como somos do curso de Informática, também desenvolvemos um aplicativo para ensinar as pessoas a tocar músicas no instrumento. Uma parte da equipe ficou responsável pela programação e outra pelo desenvolvimento do xilofone”, explica.
Os alunos relatam que a base do instrumento foi construída com madeira apreendida pela polícia e posteriormente doada ao IFPI. Já as teclas foram produzidas a partir de ferro utilizado para cortar carne, enquanto a baqueta foi confeccionada com peças de bicicleta. O xilofone também acompanha um caderno de papel reciclado, desenvolvido com foco na redução da ansiedade.
Outros produtos apresentados na feira de Miniempresas foram os da Lexlume, formada por alunos do Centro de Educação em Tempo Integral (CETI) Dr. Noronha Filho, que apostou na produção de luminárias sustentáveis feitas a partir de vasos de plantas que seriam descartados, e da Écorde, formada por alunos do CEV, que desenvolveu um suporte magnético multifuncional para celulares, produzido com ímãs reutilizados de ferro-velho e que também pode ser utilizado como bolsa e tripé.
“Essa iniciativa é muito importante porque desperta algo que, às vezes, estava adormecido. Ela nos mostra que existe um leque de oportunidades no mundo empresarial que muitas vezes não enxergamos e julgamos impossível. A JA, junto com o programa Miniempresas, surgiu justamente para mudar essa visão e mostrar que, com organização, dedicação e trabalho em equipe, é possível transformar ideias em realidade”, conclui Joaquim Leite, da miniempresa Écorde.




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