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Durante anos, Liana Amaral seguiu o caminho que muitos profissionais escolhem em busca de estabilidade: estudar para concursos públicos. Formada na área jurídica, ela dividia a rotina entre aulas, trabalhos no sistema de Justiça e a preparação para tentar uma vaga no serviço público.
Mas foi fora dos planos que surgiu uma oportunidade de negócio. Em 2017, ao ajudar uma amiga a organizar o próprio casamento, Liana acabou assumindo o cerimonial da festa. A experiência despertou uma habilidade que até então estava restrita às comemorações da própria família: a organização de eventos.
Segundo Liana, encontros e celebrações sempre fizeram parte da rotina da família, que costumava preparar praticamente tudo nas comemorações, do bolo aos doces. Esse ambiente acabou ajudando no desenvolvimento das habilidades de organização e planejamento que hoje fazem parte do seu trabalho.
A partir do casamento da amiga, começaram a surgir novos pedidos. O que era um apoio informal virou uma atividade profissional e, poucos anos depois, uma empresa consolidada no mercado de eventos em Teresina, a Não sei casar.
Nos primeiros anos, ela ainda conciliava o novo negócio com a preparação para concursos públicos e outras atividades profissionais. O crescimento da agenda foi gradual, com uma pausa natural durante a pandemia de covid-19, que atingiu fortemente o setor de eventos em todo o país.
Dados da Associação Brasileira de Eventos mostram que o segmento foi um dos mais impactados pela pandemia, mas também um dos que mais cresceram após a retomada das atividades presenciais. O mercado brasileiro de eventos movimenta centenas de bilhões de reais por ano e gera milhões de empregos diretos e indiretos.
Foi nesse cenário de retomada que a Não sei casar começou a ganhar mais visibilidade. Por volta de 2022, com a agenda já consolidada, ela decidiu deixar definitivamente a preparação para concursos e se dedicar integralmente ao negócio.
“Chegou um momento em que percebi que precisava escolher um caminho. O trabalho com eventos já estava crescendo e eu vi que poderia investir de verdade nesse projeto”, lembra.
Atualmente, a empresa atua na organização de diferentes tipos de celebrações, como casamentos, aniversários, festas infantis, batizados e chás revelação. Em cada evento, Liana monta uma equipe que costuma variar entre quatro e oito profissionais, dependendo do porte da festa e da quantidade de fornecedores envolvidos.
Além da atuação direta com eventos, a empresária também passou a investir na formação de profissionais da área. Em 2024, ela passou a integrar o projeto O Encontro, que oferece formação para profissionais do setor de eventos. O evento é anual, com três dias de imersão. A iniciativa surgiu para suprir uma lacuna no estado, onde ainda existem poucas oportunidades de formação e atualização para quem trabalha na área.
O evento começou pequeno, com cerca de 13 participantes, mas vem crescendo a cada edição. Em 2024 reuniu aproximadamente 30 pessoas e em 2025 chegou a cerca de 60 participantes. A expectativa é ampliar ainda mais o alcance nos próximos anos. Paralelamente, Liana ministra cursos de oratória e cursos sobre elaboração de contratos para profissionais do setor de eventos.
Para a empresária, iniciativas de capacitação são importantes porque o setor ainda é relativamente novo e pouco regulamentado. Um dos desafios, segundo ela, é a presença de profissionais sem qualificação, o que pode prejudicar a imagem de toda a categoria. “No nosso setor, quando um evento dá errado, isso acaba afetando a percepção das pessoas sobre toda a profissão. Por isso a qualificação é tão importante”, afirma.
Paralelamente ao trabalho com eventos, Liana também ampliou sua atuação no empreendedorismo. Em parceria com a irmã, abriu em Teresina o Casa 521, uma cafeteria que funciona junto à marca de doces Mercado Brigadeiro, negócio familiar com mais de uma década de existência.
O espaço foi instalado em um ponto comercial na Avenida Dom Severino e combina, além da cafeteria, confeitaria e loja de produtos regionais. A proposta do empreendimento é valorizar a cultura e a gastronomia do Piauí.
A identidade visual do local faz referência às pinturas rupestres do Parque Nacional da Serra da Capivara, um dos principais patrimônios arqueológicos do país e reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. As louças utilizadas no café também são produzidas por artesãos da região.
O cardápio segue a mesma linha, com ingredientes e receitas típicas do estado. Entre os produtos oferecidos estão carne de sol, manteiga da terra, mel de cana e variações inspiradas na tradicional cajuína piauiense. Aos sábados, o café também oferece pratos regionais como feijoada e panelada.
O espaço abriga ainda uma pequena quitanda com produtos de diferentes regiões do estado, como mel e castanha de Picos, cerâmicas de São Raimundo Nonato, doces e licores artesanais de Teresina, bala de café de Parnaíba e peta de Piracuruca. Para Liana Amaral, essa diversidade é uma forma de valorizar a produção local e mostrar a riqueza cultural do Piauí.




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