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Coluna Elas Investem

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Como a microempresária Nanda Drinks transformou identidade local em negócio bem-sucedido no Piauí

Ela aposta em ingredientes regionais e consolidou um modelo de atuação no mercado de eventos do Nordeste

Coluna Elas Investem 09/02/2026 às 06h00 (últ. atualiz.: 09/02/2026 às 07h48) 6 min de leitura 435 visitas
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O uso de insumos regionais e a produção própria faz toda a diferença na Nanda Drinks, empresa piauiense especializada em bebidas para eventos fundada pela empresária Fernanda Santos. Xaropes, infusões e bases para os coquetéis são desenvolvidos pela própria equipe, com ingredientes como caju, buriti e cajuína. A estratégia acompanha tendências que destacam a valorização de produtos locais, identidade produtiva e sustentabilidade como fatores de competitividade no setor de alimentação e bebidas.

No mercado de eventos, marcado pela padronização de cardápios e fornecedores, a escolha por trabalhar com produtos do próprio território funciona como ativo econômico. A identidade regional deixa de ser apenas um conceito cultural e passa a integrar o modelo de negócio, agregando valor ao serviço e diferenciando a empresa em um setor altamente competitivo.

Nanda Drinks está no mercado de bebidas há 10 anos e conquistou reconhecimento

 

Atuando há cerca de dez anos, a Nanda Drinks fornece a operação completa de bebidas para pequenos e grandes eventos, com capacidade para atender até três mil pessoas. “Nosso portfólio inclui drinks alcoólicos e não alcoólicos, cervejas, destilados, sucos naturais, água de coco e gelo, o que amplia a atuação para além da coquetelaria tradicional. Casamentos, formaturas e eventos corporativos concentram a maior parte da demanda, inclusive em destinos turísticos do Piauí, Maranhão e Ceará”, explica Nanda, como Fernanda gosta de ser chamada .

A estrutura atual da empresa é resultado de um processo de profissionalização gradual da idealizadora. Nanda começou a carreira quando o dono do estabelecimento onde trabalhava decidiu abrir um pub em Teresina e a convidou para criar a carta de drinks da casa. Mesmo com pouca experiência em coquetelaria clássica, ela aceitou o desafio.

A equipe produz xaropes, infusões e bases para os coquetéis usando ingredientes locais

 

“Uma semana antes da inauguração, fiz um curso intensivo no Senac e desenvolvi todo o cardápio com apoio do material didático. Durante a primeira semana de funcionamento, trabalhei com a apostila ao lado do balcão. Naquela época, a cultura de drinks era pouco difundida na cidade e o acesso a insumos especializados era limitado”, lembra a empresária.

A formalização como microempreendedora individual, em 2015, marcou a virada do negócio. “Quando abri meu MEI, passei a trabalhar só com isso. A Nanda Drinks virou oficial”, conta. Pouco tempo depois, o marido, Cícero Nunes Carlos deixou o emprego formal para se dedicar integralmente à empresa, da qual hoje é sócio. “Somos só nós dois. Vivemos disso há dez anos”, afirma.

Empresária também investe em formação profissional na área

 

O negócio se insere em um contexto mais amplo da economia criativa, segmento que vem ganhando espaço no Brasil ao associar identidade, serviço e experiência. Estudos do Sebrae apontam que empreendimentos ligados a eventos, alimentação e turismo tendem a ganhar competitividade quando apostam em diferenciação e produção local, especialmente fora dos grandes centros.

Além da operação em eventos, a empresa passou a investir em formação profissional, palestras e desenvolvimento de produtos próprios. “Os xaropes e as bases que produzimos internamente reduzem custos, aumentam o controle de qualidade e fortalecem a identidade da marca”, argumenta Nanda.

Nanda defende que o crescimento da coquetelaria passa pela profissionalização e pelo uso de insumos locais

 

O sucesso dos drinks levou a reconhecimento regional e nacional. Em 2022, a empresária conquistou o primeiro lugar na categoria coquetelaria do Festival Enchefs Piauí e representou o estado na etapa nacional do Enchefs Brasil, em Macapá, com um drink inspirado nos biomas piauienses. Hoje é embaixadora da coquetelaria piauiense.

Também recebeu o Prêmio Teresa Cristina, concedido pela Prefeitura de Teresina, em reconhecimento à atuação como mulher empreendedora. Em 2025, foi campeã nacional do Caju Drinks, competição realizada em Fortaleza que valoriza o uso de insumos brasileiros na coquetelaria. “Tudo isso nasceu a partir da realização de eventos e foi crescendo”, diz Nanda.

Como mulher, ela fala da importância da profissionalização e confiança no próprio talento

 

A consolidação do negócio também evidencia desafios estruturais do setor. Atuar como mulher em um ambiente majoritariamente masculino exigiu persistência. “No começo foi muito difícil. Fui vítima de preconceito, pensei em desistir várias vezes. Mas quando entendi que eu era capaz, segui em frente”, relata. Para ela, esse caminho que percorreu só mostra como é importante a profissionalização e a confiança no próprio trabalho.

Hoje, Nanda é referência na coquetelaria piauiense e defende que o crescimento do setor passa pela profissionalização e pelo uso do que é produzido no próprio território.

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