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Em 2021, uma viagem para uma competição de beach tennis em Fortaleza acabou mudando o rumo profissional da arquiteta Gabriella Lages. O que começou com um pedido informal de camisas personalizadas para atletas virou, poucos anos depois, uma empresa piauiense que hoje vende uniformes esportivos para clientes em 24 estados brasileiros.
A Just Design nasceu em Teresina e cresceu apostando em um modelo de operação praticamente todo digital. O atendimento acontece pelo WhatsApp, as artes são desenvolvidas internamente e os pedidos seguem para diferentes regiões do país sem que a maioria dos clientes jamais tenha visitado a fábrica.
Boa parte da expansão nacional da Ajust Design aconteceu através das conexões criadas dentro do esporte. Como representou o Piauí por quatro anos na Copa das Federações de beach tennis, Gabriella passou a utilizar viagens e campeonatos para apresentar os produtos da marca. Atletas indicavam para outros atletas, empresas recomendavam para parceiros e federações passaram a procurar a marca depois de experiências positivas com atendimento e qualidade do material. “A maior venda foi realmente por indicação. Quando alguém usa e recomenda, a confiança é muito maior”, afirma.
A estratégia acabou transformando a marca em fornecedora de federações esportivas, eventos de beach tennis e ações ligadas à Superliga de volêi, a principal divisão do voleibol masculino no Brasil, incluindo uniformes utilizados no staff da final realizada no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.
O caminho da empresária acompanha um movimento maior do mercado esportivo brasileiro. Impulsionado pelo crescimento de modalidades como beach tennis, corrida de rua e esportes voltados ao bem-estar, o setor de vestuário esportivo e de moda esportiva casual vem registrando expansão consistente no país.
Segundo a consultoria Grand View Research, o mercado global de roupas esportivas deve continuar crescendo nos próximos anos impulsionado pelo aumento da prática esportiva e pela busca por produtos personalizados e funcionais.
No Brasil, o beach tennis se consolidou como um dos esportes que mais crescem em número de praticantes. Dados da Confederação Brasileira de Tênis apontam que o país já ultrapassou a marca de 1 milhão de praticantes da modalidade, criando novas oportunidades para marcas ligadas ao segmento esportivo.
Da arquitetura ao empreendedorismo
Apesar de formada em Arquitetura, Gabriella trabalhou pouco tempo na área. Filha de empresários, cresceu acompanhando a rotina dos negócios da família e decidiu cedo que queria construir a própria empresa.
A primeira experiência surgiu através de um ateliê de ajustes de roupas criado em Teresina. A ideia nasceu a partir de uma necessidade observada dentro da loja da mãe: muitas clientes deixavam de comprar peças porque precisavam de pequenos ajustes e não queriam lidar com costureiras depois da compra. “Quando isso ocorria, a minha costureira já descia, marcava a roupa e isso aumentou muito as vendas da loja”, lembra.
O negócio passou a atender clientes de outras lojas também e funcionando como um serviço complementar ao varejo de moda. Mas foi durante a pandemia, em meio ao crescimento do beach tennis no Brasil, que a empresária encontrou um novo mercado.
Em uma viagem para Fortaleza, uma amiga perguntou se alguém poderia produzir camisas personalizadas para a equipe. Mesmo sem experiência naquele segmento, Gabriella decidiu testar.
Ela comprou tecido, contou com apoio da fábrica da mãe para os cortes iniciais e finalizou a produção no próprio ateliê. As peças fizeram sucesso imediato entre atletas e amigos próximos, dando início às primeiras encomendas.
Além das vendas, a empresa passou a investir na realização de eventos próprios como forma de fortalecer posicionamento de marca. Entre as ações estão campeonatos de beach tennis, corridas de rua e eventos fitness em parceria com academias. “Eu sempre fui apaixonada por esporte e atividade física. Então esses eventos também ajudam a aproximar a marca desse universo que faz parte da minha vida”, diz. Hoje, além de uniformes esportivos personalizados, a empresa também produz camisas para empresas, polos corporativas, fardamentos e materiais promocionais.
Operação digital e construção de processos
O crescimento acelerado obrigou a empresária a estruturar rapidamente uma operação mais profissional. Nos primeiros anos, praticamente todas as etapas da empresa passavam diretamente por ela. “No começo era eu atendendo cliente, criando arte, imprimindo, testando material. Empresário aprende a fazer um pouco de tudo”, afirma.
Com o aumento da demanda, Gabriella começou a desenvolver processos internos e treinar pessoalmente boa parte da equipe. Segundo ela, essa proximidade ajudou a manter o padrão de qualidade e atendimento mesmo com a expansão da empresa. Hoje, a Ajust Design opera com fábrica própria e estrutura interna de produção, sem terceirização da maior parte dos processos.
Apesar da expansão, a empresária afirma que o principal desafio continua sendo equilibrar crescimento e organização operacional. “A vida de empresário é muito intensa. As pessoas acham que empreender é ter mais liberdade, mas na verdade você nunca desliga completamente. Então é preciso realmente gostar do que faz”, afirma.
Os próximos passos da empresa incluem alcançar os estados que ainda faltam no mapa de clientes e continuar investindo em qualidade de atendimento, estrutura e fortalecimento da marca no mercado esportivo nacional.




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