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Empresária aposta em atendimento digital e personalizado para expandir loja no interior do Piauí

Em Santa Cruz do Piauí, Juliana Santos aposta em atendimento sob demanda e vendas personalizadas para manter competitividade no varejo de moda

Coluna Elas Investem 27/05/2026 às 12h10 (últ. atualiz.: 28/05/2026 às 09h50) 7 min de leitura 284 visitas
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O varejo de moda no interior do país passou por mudanças profundas nos últimos anos. O avanço dos marketplaces, o crescimento das vendas pelas redes sociais e a mudança no comportamento do consumidor obrigaram pequenos lojistas a rever estratégias, fortalecer presença digital e investir em experiências mais personalizadas de atendimento.

Em Santa Cruz do Piauí, município com pouco mais de seis mil habitantes, a empresária Juliana Santos decidiu transformar essa adaptação em estratégia de crescimento. Entre vendas online, relacionamento direto com clientes, atendimento personalizado e ações voltadas ao fortalecimento do comércio local, ela vem reposicionando o próprio negócio em um mercado cada vez mais competitivo.

A empresária passou a transformar o atendimento personalizado em diferencial comercial ao enviar malas com peças previamente selecionadas diretamente para a casa ou o ambiente de trabalho das clientes, reproduzindo uma lógica de atendimento sob demanda que ganhou força no varejo após a pandemia.

Juliana reposicionou seu negócio em um mercado cada vez mais competitivo (Fotos: arquivo pessoal)

 

O modelo da loja Juliana Modas atende principalmente consumidoras que conciliam múltiplas jornadas de trabalho e passaram a priorizar conveniência e agilidade na experiência de compra. Ao levar a loja até a cliente, Juliana reduz uma das principais barreiras do varejo físico tradicional: o tempo disponível para consumo.

A estratégia acompanha uma tendência crescente no chamado social commerce, modelo baseado em relacionamento direto, atendimento personalizado e vendas mediadas por redes sociais e aplicativos de mensagens. Segundo dados do Sebrae, conveniência e atendimento resolutivo estão entre os principais fatores de fidelização no varejo físico contemporâneo.

A loja se concentra na moda feminina e planeja consolidar uma marca própria 

 

Esse movimento faz parte de um processo mais amplo de reposicionamento do negócio. Hoje, Juliana concentra a operação principalmente na moda feminina e planeja consolidar uma marca própria nos próximos anos. Para manter a operação ativa, trabalha com duas funcionárias fixas e realiza contratações temporárias na área de marketing digital para fortalecer campanhas e ampliar o alcance nas redes sociais.

 

Conveniência como estratégia

Além da operação comercial, Juliana também passou a investir em ações coletivas voltadas ao fortalecimento do comércio local. Ao lado de uma prima, criou o Outlet Santa Cruz, iniciativa que reuniu lojistas e consumidoras da região em eventos voltados à movimentação do varejo local.

O projeto enfrentou limitações comuns ao interior, como ausência de espaços amplos, climatizados e adaptados para grandes eventos comerciais. Ainda assim, as edições realizadas ajudaram a fortalecer a circulação de consumidores entre pequenos negócios da cidade.

A  empresária também criou o Outlet Santa Cruz para fortalecer o comércio local 

 

A necessidade de adaptação constante, segundo a empresária, passou a ser uma condição básica para quem atua no comércio atualmente. “Hoje empreender ficou mais complexo porque o consumidor mudou. Não basta apenas vender produto. É preciso posicionamento, presença digital e entender como as pessoas estão consumindo”, afirma Juliana.

A rotina da empresária também envolve a gestão simultânea de diferentes atividades profissionais. Além de comandar a loja, ela atua como professora seletista na rede estadual de ensino, lecionando em uma escola técnica e agropecuária da região. Juliana diz sempre conta com o apoio do marido, o empresário Antônio Moura, que comanda um supermercado na cidade.

Meta da empresária é investir em experiências personalizadas de atendimento

 

Embora o comércio de proximidade ofereça vantagens na relação com os consumidores, o ambiente econômico ainda impõe desafios estruturais. Segundo Juliana, a alta carga tributária e a dificuldade de acesso a linhas específicas de financiamento continuam entre os principais entraves para pequenos negócios liderados por mulheres no interior.

Dados do Monitor Global de Empreendedorismo indicam que as mulheres estão entre as principais responsáveis pela abertura de novos negócios no Brasil, mas ainda enfrentam maior dificuldade de acesso a crédito e menor presença em redes estruturadas de apoio empresarial.

Atendimento sob demanda que ganhou força no varejo após a pandemia 

 

Para Juliana, políticas públicas mais direcionadas poderiam ajudar a reduzir parte dessas barreiras. “Se existisse uma assistência mais estruturada e frequente voltada ao empreendedorismo feminino nos municípios, muita coisa mudaria. Muitas mulheres têm vontade de crescer, quer reposicionar seu negócios, mas ainda enfrentam insegurança e falta de orientação”, defende.

 

Do catálogo à loja física

A trajetória de Juliana no comércio começou ainda na infância, observando a mãe complementar a renda familiar após a separação conjugal. Professora da rede pública, ela vendia produtos por catálogo da antiga revista Hermes e também comercializava alimentos para ajudar no sustento da casa.

O contato precoce com pedidos, cobranças e vendas acabou definindo a visão comercial da futura empresária. Ainda adolescente, Juliana já revendia entre amigas suas roupas que não lhe serviam mais. Em 2007, após descobrir a gravidez da primeira filha, começou a vender cosméticos de porta em porta como sacoleira. Ao longo dos anos, a atividade informal evoluiu até a abertura do CNPJ e a consolidação do ponto físico ao lado da residência da família, espaço que completa doze anos de funcionamento neste semestre.

Juliana diz que aprendeu com a mãe as habilidades de venda 

 

Hoje, ela tenta equilibrar práticas tradicionais do comércio de proximidade com estratégias mais recentes de posicionamento digital e fidelização. Em um ambiente pressionado pela concorrência online e pela mudança no padrão de consumo, o modelo adotado pela empresária mostra como pequenos varejistas do interior passaram a transformar relacionamento e conveniência em diferencial competitivo.

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